Em agosto de 2017, comecei a sentir fortes dores abdominais,
mas como sempre senti muita cólica menstrual, não dei muita bola. As dores não
cessaram e em outubro se tornaram insuportáveis. Sentia dores fortíssimas vinte
e quatro horas por dia. Além disso, me sentia muito fraca, tonta e as vezes
desmaiava. Em meio a uma madrugada, meu marido me levou para o hospital (coisa
que me recusava fazer), pois as dores estavam intoleráveis. Ao chegar na
emergência fui submetida a diversos exames e tomava uma medicação na veia para
as dores. Mas o único diagnóstico que recebi foi de uma fortíssima anemia. Para
ter alta me comprometi a procurar um hematologista. Mas antes, decidi procurar
o meu ginecologista, já que as dores estavam ainda pior. Assim que o exame de
ultrassom começou, ele olhou para mim e disse: “é um tumor no útero, o que
explica suas dores e sua anemia. Saí do consultório com um pedido de
ressonância magnética. O exame mostrou que o tumor era bem grande e que não
havia outra opção a não ser a cirurgia de remoção de útero e ovários
(histerectomia). Como já tinha uma filha linda, reagi positivamente a opção de
tratamento indicada. Mas nada foi fácil. Lembram da anemia? Ela estava cada dia
pior (já que o tumor roubava meu sangue) e do jeito que as taxas estavam era
impossível ser submetida a uma cirurgia desse porte. Os riscos eram altos.
Seria preciso tratar a anemia ou ao menos melhorar as taxas para ser
considerada uma paciente em condições cirúrgicas. Nessa altura já estava bem
desesperada, pois as dores aumentavam a cada dia. O próximo passo foi ir ao
hematologista para decidir qual seria a melhor e mais eficiente forma de tratar
a anemia. Ficou decidido que além de tomar ferro via oral, eu seria submetida a
uma sessão de dez injeções de ferro. Ao fim do tratamento em janeiro fiz um
novo exame e apesar de continuar anêmica, já me encontrava em condições cirúrgicas.
Na cirurgia, os médicos retiraram meu útero e um dos ovários
(que também estava comprometido). A recuperação da cirurgia foi muito difícil
para mim. Sentia dores insuportáveis. Apesar de estar super medicada, nada
melhorava. Era horrível! Sentia dor para deitar, sentar, levantar, andar...
enfim dor o tempo todo. Só após dez dias, comecei a me sentir melhor e em um
mês já não sentia mais dores. A recuperação total levou uns três meses, só então
recebi alta completa para retomar todas as minhas atividades. Não foi nada
fácil, mas minha qualidade de vida melhorou 100%. Não sinto mais dor alguma, o
fantasma da anemia que sempre me rondou desde a infância foi embora e minha
disposição aumentou absurdamente. Me sentia excelente! Decidimos fazer uma
viagem em família para Punta Cana. Foram dias lindos e incríveis com meu marido
e minha filha. O que eu não imaginava é que um tsunami se preparava e viraria
minha vida de cabeça para baixo.